Em 2024, o número de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pela influenza cresceu 189% no Brasil em comparação ao ano anterior — e a taxa de letalidade entre idosos hospitalizados chegou a 21,7%, o equivalente a um óbito a cada cinco pacientes internados (Fonte: SIVEP-Gripe / SBI, 2025). Números que assustam — e que reforçam uma verdade conhecida por todo profissional de saúde: a gripe não é “só um resfriado”.
O vírus da influenza circula todos os anos, mas sua sazonalidade não torna a doença menos perigosa. Para grupos vulneráveis — idosos, crianças pequenas, gestantes, imunossuprimidos e portadores de doenças crônicas — a infecção pode evoluir rapidamente para complicações graves como pneumonia e insuficiência respiratória. O diagnóstico laboratorial correto e oportuno é o ponto de partida para interromper essa cadeia. Entenda como os diferentes métodos funcionam e qual deles se encaixa melhor na rotina do seu laboratório ou serviço de saúde.
O Vírus da Influenza e Seu Impacto no Brasil
A influenza é causada por vírus RNA da família Orthomyxoviridae, sendo os tipos A e B os principais responsáveis pelas epidemias sazonais. O tipo A é o mais preocupante: além de circulação anual, ele é o agente das grandes pandemias. Os subtipos H1N1 e H3N2 são os mais prevalentes atualmente no Brasil.
Segundo o Boletim InfoGripe da Fiocruz (março de 2025), a influenza A foi responsável por 36,9% dos óbitos por síndrome gripal confirmados nas últimas semanas epidemiológicas analisadas, ficando atrás apenas do rinovírus. A maioria das unidades federativas do Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste apresentava nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento (Fonte: Fiocruz/InfoGripe, abril de 2025).
Esse cenário coloca o diagnóstico laboratorial no centro das estratégias de resposta — tanto para o manejo clínico individual quanto para a vigilância epidemiológica coletiva.
Métodos de Diagnóstico: Da Rapidez à Precisão
O laboratório clínico dispõe de três grandes abordagens para detectar o vírus influenza. Cada uma tem características, indicações e limitações específicas.
1. Testes Rápidos de Antígeno (Point of Care)
Os testes rápidos de antígeno são a porta de entrada do diagnóstico de influenza na maioria dos serviços de saúde. Detectam proteínas virais em amostras de swab nasal ou nasofaríngeo e entregam resultados em 10 a 30 minutos, sem necessidade de infraestrutura laboratorial complexa.
Suas principais características:
- Sensibilidade: 50–80% em relação ao RT-PCR
- Especificidade: acima de 95%
- Alguns modelos diferenciam influenza A de influenza B
- Testes multiplex permitem detectar simultaneamente Influenza A, B e SARS-CoV-2 em uma única amostra
A janela ideal para coleta é entre o 2º e o 7º dia do início dos sintomas, com maior eficácia entre o 2º e o 5º dia, quando a carga viral está mais elevada.
Ponto de atenção: resultado negativo em período de alta atividade do vírus na comunidade não exclui a doença. Nesses casos, o PCR ou a imunofluorescência são indicados como confirmação.
2. RT-PCR em Tempo Real: O Padrão-Ouro
A reação em cadeia da polimerase via transcriptase reversa (RT-PCR) é considerada o método de referência para o diagnóstico da influenza, sendo adotado como padrão-ouro pela OMS e pelo Ministério da Saúde do Brasil nas estratégias de vigilância sentinela.
Suas vantagens:
- Alta sensibilidade e especificidade
- Permite identificação do subtipo (H1N1, H3N2)
- Detecta múltiplos vírus respiratórios em painéis moleculares expandidos
Sua limitação mais prática é o tempo de resultado: em condições normais, de 24 a 48 horas; em pico de epidemia, pode chegar a 7 dias úteis. Para a tomada de decisão clínica em urgência, esse prazo é frequentemente inviável, razão pela qual o teste rápido ainda tem papel estratégico fundamental.
3. Imunofluorescência
A imunofluorescência direta ou indireta representa uma opção intermediária entre o teste rápido e o PCR. Apresenta sensibilidade levemente superior à do teste rápido para influenza, mas exige equipamento específico e maior tempo de processamento.
É especialmente indicada em casos com sintomas menos característicos de síndrome gripal, crianças, pacientes imunodeprimidos ou aqueles com doença pulmonar subjacente. Triagens combinando influenza, vírus sincicial respiratório (VSR), parainfluenza e adenovírus são possíveis com um único método.
Diagnóstico Diferencial: Por Que Testar Não É Mais Opcional
Com a cocirculação de influenza A, influenza B e SARS-CoV-2 — todos com sintomas sobreponíveis nas fases iniciais — o diagnóstico clínico isolado perdeu confiabilidade. Febre súbita, mialgia, cefaleia e tosse são comuns às três infecções. Só o laboratório diferencia.
Essa diferenciação importa porque:
- O tratamento antiviral da influenza (oseltamivir) deve ser iniciado preferencialmente nas primeiras 48 horas dos sintomas
- A conduta de isolamento varia conforme o agente etiológico
- O uso inadequado de antibióticos pode ser evitado quando a etiologia viral é confirmada
Os testes multiplex, que pesquisam dois ou três patógenos simultaneamente, surgem como resposta prática a esse cenário: maior rendimento, menor tempo e melhor custo-efetividade para o serviço.
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Conclusão
A influenza é um desafio recorrente e crescente para a saúde pública brasileira. Os dados de 2024 e 2025 deixam claro que subestimar o vírus tem consequências graves — especialmente para populações vulneráveis. O diagnóstico laboratorial eficiente, combinando testes rápidos no ponto de atendimento com PCR para confirmação quando necessário, é a estratégia que permite tratar mais cedo, isolar com precisão e monitorar a circulação viral em tempo real.
Para o laboratório clínico, isso significa manter um portfólio atualizado de insumos diagnósticos, treinar a equipe para interpretação correta dos resultados e garantir que os materiais de coleta estejam disponíveis — especialmente durante os meses de maior atividade gripal no Brasil (outono e inverno).
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Referências
- Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Vacinação e as perspectivas para influenza em 2025. 2025. Disponível em: https://infectologia.org.br/newsletter-sbi/vacinacao-e-as-perspectivas-para-influenza-em-2025/
- Fiocruz / Programa de Computação Científica. Boletim InfoGripe — Semana Epidemiológica 12. Abril de 2025. Disponível em: https://agencia.fiocruz.br/infogripe-numero-de-casos-de-influenza-continua-aumentando-no-pais
- Hilab. Testes Rápidos de Antígeno para Influenza H1N1: Uma Ferramenta Estratégica para Diagnóstico Eficiente. 2025. Disponível em: https://hilab.com.br/blog/testes-rapidos-de-antigeno-para-influenza/
- Scielo / Instituto Evandro Chagas. O papel do diagnóstico laboratorial da influenza. Disponível em: http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-62232010000100027
- Ministério da Saúde / Prefeitura de São Paulo. INFLUENZA — Vigilância em Saúde. 2024–2025. Disponível em: https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/vigilancia_em_saude/doencas_e_agravos/influenza


